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girassol

sempre em busca da luz, acompanha o sol atĂ© o Ășltimo raio. notas: em dias nublados, se viram para os outros buscando a energia de cada um. se nĂŁo temos o sol todos os dias, temos uns aos outros đŸŒ»

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“No mundo de cĂĄ, as relaçÔes se dĂŁo na superfĂ­cie. Eu fico sobre uma pedra no rio e, enquanto vocĂȘ estiver na outra, saudĂĄvel, amoroso e alto-astral, nĂłs nos amamos. Se vocĂȘ afundar, eu nĂŁo mergulho para te dar a mĂŁo, eu pulo para outra pedra e começo outra relação superficial. Mas o que pode ser mais arrebatador nesse mundo do que o encontro entre duas pessoas? Para mim, reside aĂ­ todo o mistĂ©rio da vida, a intenção mais genuĂ­na de um abraço. Encontrar alguĂ©m para encostar a ponta dos dedos no fundo do rio - Ă© o mĂĄximo de encontro que pode existir. Encostar a ponta dos dedos no fundo do rio. E isso nĂŁo Ă© nada fĂĄcil, porque existem os dragĂ”es do abandono querendo, a todo instante, abocanhar os nossos braços e o nosso juĂ­zo. Mas se eu nĂŁo atravessar isso agora, a minha escrita serĂĄ uma grande mentira, as minhas histĂłrias serĂŁo todas mentiras, o meu livrinho serĂĄ uma grande mentira porque neles o que impera mais que tudo Ă© a lealdade, feito um Sancho Pança atrĂĄs do seu louco Dom Quixote. É a certeza de existir um lugar, em algum canto do mundo, onde a gente Ă© acolhido por um grande amigo. É por isso que eu tenho de ir. E porque eu nĂŁo quero passar a minha existĂȘncia pulando de pedra em pedra, tomando atalhos de relaçÔes humanas. Eu vou mergulhar com o meu amigo, ainda que eu tenha de ficar em silĂȘncio, a cem metros de distĂąncia. Eu e o meu boneco de infĂąncia, porque no meu mundo a gente nĂŁo abandona sequer os bonecos que foram nossos amigos um dia.”

Rita Apoena.  (via versificar)

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